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Alceu Amaral - Literatura e Cultura

Alceu Amaral da Silva é natural de Pelotas-RS, formado em Letras. Professor, Pós-graduando em Educação de Jovens e Adultos pela FURG. Funcionário público, escritor amador, ativista Cultural. Administrador do Festival Rock e Poesia em Camaquã, Coautor do Livro Eclipses e Elipses e Destilando Poesias e contos no Blog Mouroblog.com .

Arte pela arte?

18/08/2018 | 10h03 | Fonte: Alceu Amaral / Imagem: Arte de Ana Paula Patrone
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Querendo ouvir uma música da Legião Urbana,que se esvoaçava de minha memória, fui em busca da mesma no YouTube, depois de regozijar-me corri os olhos nos comentários. Um me cativou a atenção e se referia ao finado Renato Russo, ressaltando e elogiando sua liberdade criativa em não se preocupar em escrever versos deste tipo. “Veja bem quem eu sou Com teu amor eu quero que sintas dor Eu quero ver-te em sangue e ser teu credor Veja bem quem eu sou.”

Desta constatação me irmanei para refletir. Onde esta a imparcialidade e a liberdade da arte contemporânea?

Em termos de música o que escuto por ai é um popularesco, que não fala nada que não seja palatável, assim sendo, escravos de um mercado líquido e superficial, uma música matemática, pois repete a mesma fórmula só alternando os enunciadores, digo cantores, duplas e outros voláteis. Não sejamos néscios, o dinheiro envolvido é um ótimo grilhão para estes artistas.

Nas artes plásticas, o cerceamento até não se dá pela inventividade, mas por uma necessidade vociferante de chocar os desavisados, ou melhor, não educados a evolução da arte contemporânea. Uma das funções da arte é sim contestar a rotina da vida, mas também tem uma função ambiental, que está baseada na alfabetização estética, ou em ensinar o homem a organizar formas, luzes e cores, garantindo equilíbrio e harmonia à sua vida e corpo. Isto pode ser simples.

Ilustrar o pictórico do cotidiano perdeu o valor? Penso que as elites incentivada por leis federais, curadas por outras elites ainda mais distantes do homem médio têm sua parte neste indigesto bolo.

A ditadura da arte está justamente em uma concorrência para ver quem é mais escalafabético, estrambótico, tanto na obra em si quanto em suas bases políticas, ora, a busca insana pela própria contestação também deve ser questionada.

Questiono a arte pela arte, digo que ela poderia flertar com o povo, palavra difícil que tem um histórico de censura, mas que reuni em sim o alvo de tudo.

Nas artes cênicas seria somente a comédia o sumo de nossa produção?

Na literatura. Onde ela está? Foi soterrada pelos livros de autoajuda, ou secundarizada pelos youtubers que viraram escritores? Claro que devemos dar um desconto nesta área, pois nunca fomos grandes leitores nem quantitativamente nem qualificadamente. Mas já nas letras, vejo um censo de mediocridade que prende os voadores das palavras gavetas. É preciso ter corajem para escrever e lançar.

Meu objetivo é didaticamente chegar mais perto do cidadão comum, saber que nosso povo não é educado para interpretar as múltiplas faces da arte, e logo achar outros rumos para a arte.

Assim sendo, obras de arte têm funções distintas, dentro dos contextos diferentes em que estão inseridas. Ela expressa os sentimentos do artista e a maneira particular com que percebem o meio à sua volta, será?

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