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Crônicas de Rodrigo Bender Dorneles

Crônicas de Rodrigo Bender Dorneles

Rodrigo Bender Dorneles é Bacharel em Administração. Ele trabalhou no agronegócio da família, e na CESA, Camaquã (RS). Hoje, trabalha terceirizando o setor de vendas para duas empresas de consultoria. Filosofo de final de semana. Amante de história, sociologia e filosofia.
Iniciou curso de escrita de crônicas em Porto Alegre, cidade onde mora hoje.

Que roubemos o direito de roubar

02/06/2021 - 16h07min Rodrigo Bender Dorneles / Foto: Divulgação

“A corrupção é algo natural ao humano, não que seja inato ou construído socialmente.

Mas, construído pela reflexão dialética sobre preceitos éticos, ou, pela simples escolha cotidiana de fazer o que está fora das conformidades de ações de determinada sociedade”.

Simplistamente diria Thomas Hobbes: O Homem é o lobo do Homem. Ou seja, segundo o autor, o Homem é egocêntrico. Ele pensa apenas nas suas escolhas que geram benefícios próprios, sem enxergar que estas podem causar danos aos outros.

Assim sendo, o ser humano fundamentalmente e por natureza é egoísta. As regras sociais são necessárias para estabelecer a ordem.

Ou seja, surge um contrato social que estipula como errado os atos de matar, roubar, e causar danos a outrem. Se ele não existisse, o mundo seria uma baderna.

Este é resumidamente o ponto de vista de Thomas Hobbes. As leis são feitas para o bom convívio social, mesmo que por natureza queiramos corrompê-las. Assim a coercibilidade ou a pena imposta nos inibe desse nosso extinto.

Por outro lado Jean Jacques Rousseau teorizava o oposto.

Segundo o autor: “O Homem é bom por natureza”. Um bom selvagem. A sociedade e convívio que o corrompem. Para ele essencialmente não temos maldades inatas, mas a competição e vida social nos transforma.

Por esta lógica: o político seria ético, o pobre seria santo. O executivo seria solidário. A mulher não se prostituiria.

Porém, estes citados acima, ao longo do tempo começariam a refletir e ver as engrenagens sociais como algo sujo. E a partir disso, por rebeldia ou simples raciocínio social, a mentalidade se transformaria.

O pobre começaria a roubar para comer. A mulher sem dinheiro, iria se prostituir, o executivo roubaria a empresa, e o político compraria votos e mentiria justamente para aqueles que o elegeram.

Estes dois raciocínios teorizados, por estes dois autores, estão corretos e mesmo que presumivelmente conflitantes, respondem quase que ironicamente a verdade completa.

Vou explicar:

De dez pessoas, dois são lobos famintos, loucos para roubar e enriquecer sua família. Porém, oito são bons selvagens, bondosos, que querem o bem social.

Agora, se colocarmos esta amostragem em uma sala e o dermos uma missão e ocupação, a mágica acontece.

Os lobos mostrarão aos bons como as coisas funcionam e os bons então criarão regras para se protegerem.

Agora, se nessa missão dada, nós estipularmos que apenas três irão vencer, o jogo começa a rolar, regras serão criadas, penas serão estipuladas. Depois de um tempo, eles terão quase que um sistema ético ou uma constituição, cheia de leis e órgãos independentes.

Quem venceria? Talvez dois lobos e um bom, Não sei. Talvez três bons, se forem astutos e se protegerem.

Claro que fui simplista neste raciocínio que criei, mas para mim a vida mesmo que infinitamente mais complexa, funciona quase que perfeitamente desta forma.

Temos por fim então, a criação de filosofias éticas para basear todas estas normas e regras.

Provavelmente, este grupo que citei passaria boa parte do tempo refletindo sobre o que seria certo ou errado, e raciocínios seriam criados para fundamentar o convívio.

As filosofias éticas permeiam a humanidade desde o início da história, passando pela lei de Talião, do olho por olho e dente por dente. Pelos preceitos cristãos na Idade Média. Até o suposto Utilitarismo atual, que para mim baseia nossas decisões no mundo contemporâneo.

Immanuel Kant, um dos maiores filósofos éticos de todos os tempos, formulou uma teoria complexa, mas bem inteligível. Resumidamente ele criou o imperativo categórico.

Ou seja, para ele o ético está na ação correta. Roubar está errado mesmo que sua consequência seja melhor para maioria. O ato em si está errado independentemente do efeito criado. Ou seja, o ético está na causa e não no efeito. Roubar é errado e ponto.

De outro lado, os utilitaristas enxergam a ética no resultado da ação. A ação só se medirá como ética pelo resultado, logo, o ato praticado deve beneficiar a grande maioria.

Claro que estas duas teorias teoricamente se conversam, pois mesmo para os utilitaristas ou seguidores de Kant roubar está errado.

Para um, é uma escolha errada, e para o outro também, pois prejudicará nas consequências o convívio social.

Parto agora, depois deste nada breve prólogo, para o fim de minha tese. Vou contextualizar e botar a boca na botija.

No mundo hoje temos os dominadores Utilitaristas, que estão para criar a nova Ordem Mundial.

Temos que tomar cuidados com os lobos da China. Me refiro aos seus governantes, não generalizo a sua população. E de outro, os lobos em pele de cordeiro do mundo ocidental.

Falo dos poderosos do ocidente que têm um intuito demagógico de criar um mundo interligado sem fronteiras. Esta ideia pode nos tornar escravos de um suposto Estado global.

No Brasil, temos dois lobos, um da Esquerda e outro da Direita. Sim, contesto esta bipolaridade burra que nós mesmos criamos, e ainda alimentamos como se não tivéssemos opções.

Os lobos da Direita usam um fantoche, denominado como Mito. Este homem tem supostamente um bom porte atlético adquirido na bela carreira militar e política.

Esse Mito para mim é um bom selvagem, mas com o perdão da palavra, um bom burro, Boçal. Sim, para mim este Capitão, tem empatia.

Mesmo que pareça irrisório, e que muitos o chamem de genocida, vejo neste ser um intuito genuíno.

Ele, talvez, apenas foi criado por machistas e ultrapassados e não soube refletir por falta de capacidade intelectual. Ele carrega uma carcaça de preconceitos velhos, criados pelos conservadores, mas mesmo que sutilmente vejo neste ser algum desejo de ser bom.

Ele carrega o arquétipo do conservador que foi brutalmente criado para menosprezar mulheres, negros, gays, esquerdistas. Este arquétipo é de uma criança que nasceu boa por natureza, porém, talvez, levou pauladas dos pais e da vida. Este Arquétipo normalmente monta uma armadura e tem quase que um trauma de aceitar o inovador, ou diferente.

Mas sim, este Mito que representa o bom selvagem da Direita tem pouco discernimento para colocar capacitados no Ministério da Saúde. Ele tem pouca capacidade de usar máscara, tem pouca capacidade de ser politicamente correto.

Ele é, pelo menos autêntico, e por sua burrice conversa com os lobos da Direita que o controlam.

De outro lado, temos um lobo em pele de cordeiro (extremamente inteligente) um esquerdista metalúrgico que tem talvez, genuinamente o interesse pela igualdade. Mas que não medirá esforços através do utilitarismo para voltar ao poder.

Este lobo também já foi bom, mas se corrompeu com o poder e se legitimou com seus companheiros.

Qual solução? Se temos uma impressa imparcial, uma Direita retrógrada e uma Esquerda que se mostrou ser corrupta.

Que criem outro nome político para sairmos desta matilha de lobos.

Nós como sociedade somos como aquela maioria de bons do exercício reflexivo que criei. Somos como os oito bons, mas temos dois lobos em nossa sala.

O da Esquerda e da Direita. Que criemos mecanismos para vencer.

Somos a sociedade, somos maioria nesta sala. Somos os oito bons. Temos dois lobos contra nós.

Temos uma Constituição para zelar.

Ainda podemos eleger um outro nome nas próximas eleições. Ainda podemos ter uma CPI da covid que preze pela verdade e imperativo categórico, penalizando os culpados.

Parece que roubar se tornou um Direito protegido por foro privilegiado. Parece que nosso sistema jurídico nas entrelinhas promove Direitos antiéticos.

Parece que negligência não acarreta em mortes.

Parece que temos os governantes que merecemos.

Parece que alimentamos os lobos, cotidianamente.

Que enganamos os lobos, eles entendem o que é roubar. Eles amam esta palavra. Que criamos então um mecanismo de os confundir.

Que sejamos utilitaristas. Que kant nos perdoe. Que as urnas nos permitam o novo.

Que continuemos bons por natureza, mas inteligentes.

E dessa forma.

Que Roubemos o Direito de Roubar.

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