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Juliano Borges Machado - Filosofia, Reflexão e Fé

Juliano Borges Machado - Filosofia, Reflexão e Fé

Nascido em 1977, sou professor de filosofia, cultura religiosa e sociologia. Considero que os esforços para descobrir os mistérios do homem e do mundo são um tesouro muito valioso para estudarmos, e uma poderosa alavanca na nossa busca pela natureza e sentido da realidade.

Enigma

06/04/2022 - 13h47min Juliano Borges Machado / Foto: Depositphotos / Direitos Reservados

O profeta Isaías apresenta um cântico de louvor a Deus no capítulo 45, que expressa uma grande verdade sobre a forma de manifestação divina:

“Senhor Deus de Israel, ó Salvador, Deus escondido, realmente, sois, Senhor!” (v.15)

Nessas palavras encontro minha meditação sobre o papel de Deus no cenário da realidade cotidiana. No arroz com feijão nosso de cada dia, muitos perguntam “Onde está Deus?”. Essa pergunta com frequência ganha um toque de revolta diante das calamidades, adversidades e sofrimentos.

Pendurado por pregos na cruz, Jesus tratou deste assunto quando diziam “Se és o Cristo, desce agora da cruz”. Mas respondia com silêncio, porque não cabe a Deus mostrar aquela glória que ele tem, antes de um tempo certo pensado por ele. E isso tem uma lógica que está fundada no pensamento divino, não na pressa humana.

Se Deus mostrasse todo seu esplendor, dificilmente seria amado como ele pretende ser amado. Ele deixa pequenos sinais no meio de nossa vida para ser descoberto por cada um de nós. E, nessa descoberta entre as coisas simples, como o trabalho bem feito, a natureza, as pessoas, as adversidades, os pequenos sofrimentos diários - como a louça suja que se lava num dia frio por amor - não passam em branco diante dos olhos silenciosos de Jesus crucificado - a máxima manifestação do Deus escondido.

Se ele mostra a glória divina, todo joelho no céu e abaixo do céu, e até no inferno se dobra, conforme diz a Bíblia. Pois parece que Deus não quer fazer nascer um amor a ele motivado por algo extraordinariamente muito maior do que tudo que costumamos ver. Isso não significa que um dia ele não vá mostrar sua grandeza, mas por enquanto quer ser descoberto no seu esconderijo aqui na terra, de onde se manifesta como aquele que já desceu até nós e, como diz o Apocalipse, está à porta e bate. Quem teria coragem de abrir a porta para o Deus escondido que bate, para com ele esperar, através de sua própria vida, o dia do Deus glorioso que vem?
Recomendo um livro que trata vastamente sobre este tema: Deus e o sentido da vida, de Dom Rafael Llano Cifuentes, penso ser uma leitura de grande proveito.

Foto: Depositphotos / Direitos Reservados

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