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Pedro Bugs - A vida sobre a tela

Pedro Bugs - A vida sobre a tela

Pedro Bugs é um estudante de jornalismo que trabalha como redator e repórter do Grupo Blog do Juares de Comunicações. A coluna “A vida sobre a tela” faz um paralelo entre obras cinematográficas e a vida real.

A vida sobre a tela: O Mundo Depois de Nós

30/12/2023 - 14h40min Pedro Bugs / Foto: Reprodução

O filme “O Mundo Depois de Nós”, lançado em 8 de dezembro de 2023, é estrelado pela renomada atriz Julia Roberts, e conta com os atores Ethan Hawke e Mahershala Ali em seu elenco. Os personagens, residentes da grande Nova York, enfrentam dilemas em um mundo próximo do colapso numa trama que junta o drama e o suspense.

O filme está disponível na Netflix.

A obra cinematográfica dirigida por Sam Esmail aborda questões que no atual momento do planeta são de importância máxima. Em um globo voltado à tecnologia, o quanto afetaria um colapso na rede mundial? Essa é a principal reflexão que o filme faz para seus telespectadores.

Somos controlados pela tecnologia ou ela controlamos? O evidente impasse se torna uma busca quase momentânea por essa resposta no decorrer da obra e mesmo no dia a dia. A dependência do ser humano pela necessidade de estar tudo interligado levou o planeta a essa grande rede chamada internet. Atualmente para o lazer é sempre necessário um aparato tecnológico. Em “O Mundo Depois de Nós” uma jovem garota ignora todos os problemas enfrentados pela família com a única preocupação em assistir o último episódio de sua série favorita, Friends. Esse desejo consumista e por muitas vezes individualista é perceptível na comunidade global.

A ameaça de um colapso de escalas astronômicas é sim um problema real, e o que mais pode assustar é o não controle humano e sim a pura obra do homem agindo contra ele mesmo, sendo ela feita de silício e estanho. O filme mostra como a distribuição do capital é desigual, e como poucos controlam a potência de recursos terrestres e podem sim interferir na vida da espécie humana.

A reclusão em um lugar calmo como mostrado na película seria de ótimo proveito, se não fosse a dependência brutal humana pela informação, afinal quando sabemos o que acontece, sabemos o que fazer e o limbo da desinformação pode estagnar até mesmo grandes e preparadas mentes. Em pleno 2023, particularmente, não acredito que seja possível se desconectar do mundo e realizar um pequeno hiato na vida cotidiana.

Em uma espécie de provocação ao multimilionário Elon Musk, CEO de grandes empresas como a Tesla, o X e o SpaceX, uma cena chamou atenção de todos que viram o filme e refletiram, isso aconteceria mesmo? Na ocasião, sem o controle das funções tecnológicas, os carros da marca de veículos de Elon colidem um atrás do outro, sem nenhum passageiro, e formam uma fila quilométrica de veículos fantasmas. O dono da empresa aproveitou o gancho para contornar a situação através de uma propaganda no X: “Teslas podem carregar a partir de painéis solares mesmo que o mundo fique totalmente Mad Max e não haja mais gasolina!” disse o excêntrico filantropo.

A mensagem final do filme passa um sentimento de dúvidas, estamos preparados para todas as tecnologias que temos? Seria possível viver sem elas? São questões que transcendem a arte e impactam as nossas vidas.

Crítica do filme:

Apesar de uma ideia introdutória magnífica, a demora em cenas comuns e o foco expandido para questões relacionais podem distanciar o telespectador das telas. A boa atuação e sagacidade de Emily Roberts chamam a atenção durante às 2 horas e 20 minutos da obra.

Edição 1 - Arte: Nickolas Padilha 

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