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Pedro Bugs - A vida sobre a tela

Pedro Bugs - A vida sobre a tela

Pedro Bugs é um estudante de jornalismo que trabalha como redator e repórter do Grupo Blog do Juares de Comunicações. A coluna “A vida sobre a tela” faz um paralelo entre obras cinematográficas e a vida real.

A vida sobre a tela: A Sociedade da Neve

13/01/2024 - 14h18min Pedro Bugs / Foto: Reprodução

Contando de uma forma fiel e realista, o filme “A Sociedade da Neve” fala de forma direta, apesar de que com bastante drama, do acidente que vitimou grande parte de um time uruguaio de rugby, em 1972, na Cordilheira do Andes. Mesmo com um elenco com pouco ou nenhum renome, os atores parecem entrar no personagem e passar a quase realidade total do que aconteceu na tragédia… ou no milagre.

A produção dirigida por Juan Antonio Bayona, tenta se aproximar da realidade dos sobreviventes e passar de forma imersiva a ideia e a reflexão, até onde a vontade de viver pode ir? Existe o errado para alcançar a sobrevivência?

Os jovens de um time uruguaio de rugby, popular esporte no país, planejam disputar uma competição no Chile, para isso, os atletas e convidados embarcam em avião da força aérea do Uruguai, no dia 12 de outubro de 1972, em Montevidéu e com destino para Santiago. A aeronave nunca chegou lá.

Em um dia de muitas tempestades na parte mais ao sul do continente sul-americano, o avião, que tinha ao todo 45 pessoas a bordo, caiu em uma remota montanha do Chile, na imensa Cordilheira dos Andes. Logo na queda, o avião uruguaio partiu ao meio e 16 pessoas morreram de diferentes formas quando a estrutura tocou o chão coberto de gelo.

A angústia, o medo e a dor foi o que restou para os sobreviventes. Após um primeiro momento de choque e incredulidade, os jogadores e os acompanhantes precisaram encarar a situação. Devido às baixíssimas temperaturas na parte da noite, o grande adversário foi reconhecido logo no começo, o frio.

Em uma experiência onde o ser humano é testado ao limite, existe ainda a moral ética do sim ou do não? O ato de continuar a vida está em jogo.

Os dias passam, sem resgate e sem comida, a nova sociedade criada parece colapsar. Outros morreram por ferimentos, e pela pressão. O grande dilema do filme começa, até que ponto isso seria viver? Alguns relatam que só estão postergando a vida e que a esperança já acabou.

Fora das telas, com bem menos ênfase, somos questionados diariamente a tomar decisões que podem ser complexas e até muitas vezes ultrapassar a ética. Mas a régua mais importante deve ser se essa atitude estaria prejudicando alguém. A ética é imprescindível, mas o bom senso também. No filme, prevalece a ordem natural de qualquer espécie, viva.

Após enfrentar o perigoso dilema de se alimentar dos restos mortais de pessoas que faleceram na queda, o grupo ganha uma sobrevida. Porém, continua enfrentando adversidades em seu caminho.

Sem um resgate e sem esperança, e após muitas perdas, dois jovens vão para uma missão de tudo ou nada, de vida ou morte. Depois de alguns dias de caminhada eles finalmente encontram vida, conseguem ajuda e 72 dias depois, o resgate chega.

Talves mais do que o dilema, o filme mostre o companherismo entre os persoangens. O lutar pelo outro está presente na obra, em nenhum momento os uruguais sequer pensaram em deixar alguém para trás. A luta pela vida, assim como em toda a sociedade, não é de um indivíduo e sim coletiva, em busca do propósito máximo, prosperar.

Crítica do filme:

A obra consegue ser ao mesmo tempo imersiva, realista e dramática. Os atores, mesmo que desconhecidos, passam uma ideia de que estão diretamente ligados aos seus personagens. A história é impactante, acreditar que esse impossível aconteceu pode ser difícil, mas a película leva seus telespectadores diretamente para o acontecimento.

O filme está disponível na Netflix.

Edição 2 - Arte: Nickolas Padilha

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