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"O Leandro achava que era um bom pai", diz defesa de Boldrini em julgamento em Três Passos

Médico é réu, com outros três, pela morte e ocultação do corpo do filho
15/03/2019 - 09h18min GaúchaZH / Foto: Isadora Neumann / Agência RBS Corrigir

O primeiro advogado a falar pela defesa dos réus, no julgamento pela morte de Bernardo Uglione Boldrini, em Três Passos, foi Ezequiel Vetoretti. Ele é responsável pela defesa de Leandro Boldrini. O médico é acusado pelo Ministério Público de ter sido o mentor da morte do filho. A defesa sustentou que o pai não sabia do crime e que foi enganado pela mulher. Graciele Ugulini, que era madrasta do garoto, também é ré no processo, assim como os irmãos Edelvânia e Evandro Wirganovicz.

Em interrogatórios durante a manhã desta quinta-feira (14), Graciele e Edelvânia também sustentaram que Boldrini não sabia da morte do filho. Elas alegaram que o menino morreu por conta da ingestão excessiva de medicamentos. A defesa da madrasta alega que o crime foi cometido de forma culposa, ou seja, sem intenção. Vetoretti, que defende Boldrini, argumentou que o réu foi transformado em um monstro pela imprensa, com base em uma visão acusatória contaminada. 

Ele é uma pessoa fria. Ele foi criado como disse, na ponta do facão. O irmão dele é assim também. Esse é o Leandro autêntico que vem aqui. Mas ele amava o Bernardo (...). O Leandro não tem nada a esconder. Ele podia vir aqui e fazer teatro. Eu podia dizer: Leandro chora. Não querem desmistificar o monstro que fizeram o Leandro. O Leandro achava que era um bom pai — afirmou o advogado. 

A primeira versão, apresentada à polícia em 14 de abril de 2014 por Edelvânia, foi citada pela defesa de Boldrini. A confissão dela permitiu que a polícia localizasse o corpo de Bernardo. Edelvânia afirmou que ela e Graciele cometeram o crime. Naquela oportunidade, ela relatou que Boldrini não sabia do plano para matar o menino. Dizia que a madrasta teria afirmado que quando contasse, o marido ficaria aliviado, por ter se livrado do filho. A ré mudou a versão ao longo do processo. Agora, ela afirma que a morte aconteceu de forma acidental e que ela queria levar o menino a um hospital, mas Graciele não teria permitido. 

— A Edelvânia vem e conta detalhes. E diz que o Leandro não sabia e isso é esquecido. Isso é ignorado. Quando perguntada se Leandro tinha participação ela disse: não. Mas aí a acusação diz que ela estava mentindo — defendeu advogado de Boldrini.

A defesa de Boldrini reproduziu no plenário um áudio, que já havia sido usado pelo MP. Nele, o médico comunica a um radialista o desaparecimento de Bernardo. Ele dá detalhes da descrição do filho, como altura e peso, e se refere ao filho com tempo verbal no passado. A defesa argumentou que Boldrini só repetiu o tempo verbal do radialista. O advogado exibiu aos jurados ligações entre Boldrini e Bernardo. Isso foi usado para argumentar que o médico falava com o filho por telefone quando ele não estava em casa aos fins de semana

— O único fim de semana em que Leandro não conseguiu falar com o filho foi esse. A imprensa tem a chance hoje de desfazer esse monstro que criaram do Leandro. Não interessa para as páginas dos jornais que tenha prova a favor de Leandro — argumentou Vetoretti. 

O advogado fez referência diversas vezes à obra Otelo, de William Shakespeare, para afirmar que houve um erro na investigação e no processo ao apontar a culpa pela morte do filho para Boldrini. 

Ao fim da uma hora que teve disponível para fazer a defesa — o tempo de quatro horas foi dividido entre os réus — Vetoretti pediu aos jurados que absolvam Boldrini. Ele disse ainda que o médico pretende retomar a vida e o atendimento em Três Passos, caso isso aconteça. 

— O lugar do Leandro é aqui, em Três Passos. O Leandro é inocente — afirmou. 

Defesa de Graciele pede semi-imputabilidade

A defesa de Graciele foi a segunda a falar na noite desta quinta-feira em Três Passos, onde as defesas estão sendo ouvidas no julgamento pela morte de Bernardo. O advogado Vanderlei Pompeo de Mattos manteve a versão, já apresentada pela ré, de que o menino morreu após ingerir medicamentos, por acidente. Por isso, pediu que o crime seja desclassificado para homicídio culposo, ou seja, quando não há intenção de matar. 

No entanto, o advogado afirmou que, caso os réus entendam que houve homicídio doloso, com intenção, julguem a possibilidade de semi-imputabilidade. Com isso, não seria excluída a imputabilidade, mas caso isso seja aceito pelos jurados, ao fazer a dosimetria da pena, a juíza Sucilene Engler poderia reduzir a pena de Graciele. Isso sob o argumento de que a ré não teria plena capacidade de compreensão sobre os fatos. 

O advogado já havia argumentado que a cliente passou por internações no Instituto Psiquiátrico Forense (IPF) nos últimos anos e que chegou a cometer tentativas de suicídio. 

— Ela é ré confessa. A única que prestou depoimento confessando o que tinha feito, devidamente assistida por defensor — afirmou Pompeo de Mattos.

Defesa de Edelvânia 

Em sua fala inicial, a defesa de Edelvânia reclamou da demora do júri para julgar sua cliente, visto que os réus estão presos há quase cinco anos preventivamente. Gustavo Nagelstein, um dos advogados de Edelvânia, afirmou que ela nunca recebeu dinheiro de Graciele, contradizendo o Ministério Público, que aponta recebimento de R$ 6 mil para ajudar a matar e ocultar o cadáver de Bernardo.

Em sua manifestação, o advogado Jean Severo disse que o Ministério Público tem "as mãos sujas de sangue" na morte de Bernardo, em referência à manutenção da guarda do menino com o pai por decisão de um juiz e parecer favorável do MP.

A defesa de Edelvânia pediu ainda que ela seja condenada por ocultação de cadáver e não por homicídio.

— Eu não estou pedindo um milagre para vocês. Estou pedindo para absolverem duas pessoas de bem, que querem voltar para casa e trabalhar — apelou Severo aos jurados, referindo-se a Edelvânia e Evandro.

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