Polícia

Armas de caça e mais de 100 kg de carnes de animais são apreendidos em operação no Norte do RS

Investigação apontou que grupo usava licenças de manejo de javalis para caçar outros animais silvestres
27/08/2019 - 13h52min Corrigir

Mais de 100 kg de carnes de animais e cerca de 50 armas de caça foram apreendidas durante operação na manhã desta terça-feira (27), no Norte do Rio Grande do Sul. Policiais cumpriram 35 mandados de busca e apreensão em Erechim e Lagoa Vermelha, com objetivo de combater crimes de caça ilegal. Seis pessoas foram presas por porte ilegal de arma de fogo.

"A investigação teve início em dezembro de 2018, a partir de denúncias de que uma organização criminosa utilizaria indevidamente autorizações para manejo de javalis para os fins escusos de caça de toda a sorte de animais silvestres", diz a delegada Marina Ver Goltz.

De acordo com a polícia, o grupo usava licenças de manejo de javalis para caçar outros animais silvestres.

Conforme o diretor do Departamento de Investigações Criminais, delegado Sander Cajal, os integrantes da organização criminosa se reúnem para caçadas em diversas regiões do estado e caçam veados campeiros, tatus, capivaras, pacas, ratões do banhado, perdizes e perdigões.

Segundo a delegada Marina, além da caça ilegal, também foi apurado que o grupo investigado realizava jantares restritos a convidados, nos quais era servida a caça abatida.

"Apenas o javali tem seu manejo autorizado pelo Ibama, em razão de ser espécie exótica invasora que tem causado uma série de impactos ambientais e socioeconômicos, ameaçando o ecossistema. Deste modo, os integrantes da organização criminosa obtêm autorização para manejo de tais animais, bem como adquirem legalmente armas através de cadastro junto ao Exército Brasileiro. Contudo, fazem uso desvirtuado destas autorizações para a caça de outros animais, cujo abate é proibido", afirma.

Os investigados poderão responder pelos crimes previstos nos artigos 29 da Lei 9.605/98 (matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida), com penas de seis meses a um ano e multa, e também no artigo 2º da Lei 12.850/2013 (promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta pessoa, organização criminosa), com pena de três a oito anos e multa.

A ação nas duas cidades envolveu mais de 200 policiais e teve o apoio do Ibama, da Associação Riograndense de Proteção aos Animais, do Exército Brasileiro e da Corregedoria da Brigada Militar.

Os agentes também apreenderam munições, máquinas de recarga de munições, suprimentos para recargas de munições, silenciadores/supressores, lunetas, telefones celulares e licenças de controlador de javalis no Ibama (CTF).

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