Política

Deputados do PSL dizem que Bolsonaro decidiu deixar partido e criar nova legenda

Parlamentares deram informação após reunião com Bolsonaro; presidente se filiou ao PSL em 2018 para disputar eleição. Bolsonaro entrou em atrito com Luciano Bivar e gerou crise no partido
12/11/2019 - 17h33min Corrigir

Deputados do PSL afirmaram nesta terça-feira (12) que o presidente Jair Bolsonaro decidiu deixar o partido e criar uma nova legenda.

Daniel Silveira (PSL-RJ), Bia kicis (PSL-DF), Carlos Jordy (PSL-RJ), Coronel Chrisóstomo (PSL-RO) e Leo Motta (PSL-MG) deram a informação ao deixar o Palácio do Planalto, onde se reuniram com Bolsonaro.

O presidente da República ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre o assunto até a última atualização desta reportagem.

A saída de Bolsonaro ocorre após uma série de desentendimentos entre ele e o presidente do PSL, Luciano Bivar. No mês passado, Bolsonaro afirmou a um apoiador para "esquecer" o partido, acrescentando que Bivar está "queimado para caramba".

Essa declaração de Bolsonaro desencadeou uma crise no partido, dividindo as alas ligadas a ele e a Bivar.

O presidente da República já avaliava há alguns meses a possibilidade de deixar o partido e passou a ter conversas frequentes com parlamentares e com os advogados Karina Kufa e Admar Gonzaga (ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral).

Troca de partidos

Ao longo de três décadas de carreira política, Bolsonaro tem histórico de troca de partidos. O PSL foi o oitavo partido por onde Bolsonaro passou. Antes, o presidente teve passagens por: PDC, PPR, PPB, PTB, PFL, PP e PSC. O casamento entre Bolsonaro e o PSL durou pouco mais de um ano.

Em busca de um partido para disputar a eleição presidencial, Bolsonaro anunciou em janeiro do ano passado que trocaria o PSC pelo PSL, então um partido nanico. A filiação ocorreu em março.

À época da eleição, Bivar transferiu a presidência da sigla para Gustavo Bebianno, então braço direito de Bolsonaro. A onda bolsonarista da eleição fez o PSL saltar de um deputado eleito em 2014 para 52, a segunda maior bancada da Câmara dos Deputados.

Passada a eleição, Bivar reassumiu o comando da legenda. Já com o novo governo empossado, os desentendimentos internos e a disputa por controle de cargos e repasses de fundo partidário e eleitoral corroeram a relação do grupo bolsonarista com o de Bivar.

A crise chegou ao ponto de uma guerra de listas, com empenho direto de Bolsonaro, derrubar da liderança do partido na Câmara o deputado Delegado Waldir (GO), apoiado pela ala bivarista. Ele foi substituído por Eduardo Bolsonaro (SP), um dos filhos do presidente da República.

Ao se tornar o segundo maior partido da Câmara, o PSL aumentou sua participação no fundo partidário: saltou de R$ 9,7 milhões em 2018 para R$ 110 milhões em 2019 – e a expectativa é que, em 2020, o valor fique entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões.

Já com relação ao fundo eleitoral, a previsão para o pleito do próximo ano é que a legenda receba quantia superior a R$ 200 milhões – graças aos mais de 10% de representação na Câmara dos Deputados.

O dinheiro fica sob administração dos dirigentes do partido, no caso, de Bivar e seus apoiadores.

A disputa pelo controle dos recursos levou Bolsonaro e mais 23 parlamentares a pedirem no mês passado o bloqueio de repasses do fundo partidário ao PSL e o afastamento e Bivar da presidência da legenda.

O pedido foi feito em representação à Procuradoria Geral da República (PGR) e indicou haver elementos de ilegalidades cometidas na direção da agremiação.

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