Educação

UFRGS inaugura memorial para lembrar expulsos da universidade durante ditadura militar

Espaço fica na Faculdade de Educação, para relembrar professores, estudantes e funcionários que foram expurgados da instituição. Projeto também inclui exposição e rodas de bate-papo
29/11/2019 - 10h55min Corrigir

Um monumento em homenagem aos professores, funcionários e alunos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) que foram expulsos da instituição durante o período da ditadura militar foi inaugurado nesta quinta-feira (28), no campus de Porto Alegre. O Memorial dos Expurgados está na frente ao anexo 3, do prédio da Reitoria, e foi idealizado por uma iniciativa dos professores atuais da universidade.

Naquela época, uma comissão interna definia quem deveria deixar a universidade, nos chamados expurgos, como explica a professora Maria Ceci, do curso de administração, uma das organizadoras do projeto.

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"Essa comissão definia os expurgos pelas razões mais absurdas, como situações de inveja pessoal. A maior parte por perseguição política. Era o braço do regime dentro da universidade", afirma.

Não é possível precisar o número exato de pessoas afastadas, pois muitos membros da comunidade acadêmica de então acabaram saindo voluntariamente. A UFRGS não chegou a realizar um trabalho de comissão da verdade dentro da instituição, observa Maria Ceci, como boa parte das universidades federais do Brasil teve. Não havia registros institucionais dos expurgos realizados.

Os afastamentos foram objeto de estudos e pesquisas, lembra a professora.

A escultura é feita de pedra, faz referência à América Latina e possui uma placa com a seguinte mensagem: “Aos que lutaram, resistiram e nos legaram solidariedade e esperança”. A obra é de Irineu Garcia. Junto ao monumento, está um jardim projetado pelos docentes Paulo Brack e Sérgio Tomasini.

Outro objetivo do memorial é levar a história adiante, para as novas gerações. "Para conhecer nossa própria história e também compreender o que acontece quando nós estamos sob regime autoritários, seja ditadura, seja formas contemporâneas de autorismo", aponta.

Alguns dos expurgados compareceram à cerimônia de inauguração, nesta quinta. O professor Cláudio Accurso, exonerado da Faculdade de Ciências Econômicas em 1964, representou os homenageados.

Ele recordou o silêncio institucional ocorrido durante os processos pelos quais passaram, “parte por conivência e parte por medo”, resgatou.

Além do memorial, uma exposição com 18 aquarelas do professor de arquitetura José Carlos Freitas Lemos foi inaugurada no Centro Cultural da UFRGS. As obras podem ser vistas até o dia 31 de dezembro. A entrada é gratuita.

E duas rodas de conversa com lideranças estudantis e expurgados estão marcadas para os dias 3 e 11, sempre às 18h, também no Centro Cultural da universidade.

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