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Técnicos coletam amostras de água para investigar morte de peixes no Arroio Dilúvio, em Porto Alegre

Peixes se acumulam na ecobarreira a poucos metros do Guaíba. Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade atribui aumento da poluição devido ao despejo de esgoto
03/12/2019 - 13h51min Corrigir

Equipes do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) coletaram amostras de água em dois pontos do Arroio Dilúvio na manhã desta terça-feira (3), para começar a investigar o surgimento de peixes mortos no local. Eles passam boiando pela água e se acumulam na ecobarreira, a poucos metros do Guaíba. A linha de contenção represa centenas de peixem em meio ao lodo e ao lixo.

As amostras foram coletadas nos cruzamentos das avenidas Ipiranga com a Praia de Belas e com a João Pessoa.

"Primeira vez que acontece dessa quantidade e desse tamanho, peixes adultos", comenta o operador da ecobarreira Cláudio Lopes, que trabalha no local desde o início do projeto, há cerca de três anos e meio. "Apesar da sujeira do arroio, os peixes sobrevivem, eles passam e desovam. Nunca aconteceu de aparecer essa quantidade", completa.

Cláudio explica que a barreira fica totalmente fechada para que o lixo seja recolhido. "Quando acontecem coisas atípicas assim, a barreira permite abrir um meio metro para esse material passar, os peixes passam e eu recolho o lixo mesmo."

A RBS TV consultou o coordenador de Engenharia Ambiental da Uniritter sobre o assunto. Para ele, os peixes entram em uma espécie de armadilha. Carregados pela chuva, acabaram sem oxigênio quando o nível do Dilúvio baixou.

"Como nós passamos por um período chuvoso muito intenso, [a chuva] carregou matéria orgânica para dentro do arroio (...) A cheia facilita o acesso dos peixes e, com a época da migração, eles vão subir ao arroio e, aí, com o nível que vai baixando, eles podem ficar represados e se concentrarem em algum ponto. Com o aumento dessa população e a diminuição do curso hídrico, vai diminuir a taxa de oxigênio, que pode causar a mortandade", analisa. 

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade vai na mesma linha e atribui o aumento da poluição devido ao despejo de esgoto, já que o dilúvio recebe descarte desde sua nascente, em Viamão, passando por diversas ocupações irregulares.

Motivos naturais também não são descartados. A secretaria orienta ainda essas comunidades a ligarem suas redes de esgoto ao sistema de saneamento do município.

O volume de animais mortos nesta terça no arroio impressionou quem passava pelo local.

"Isso, para mim, faz parte de um descaso da administração pública (...) A gente tem o nosso direito a voto, nós elegemos as pessoas que estão no poder e cabe à população fazer a fiscalização, e a gente não tem feito isso de uma forma intensiva", diz o advogado Thomaz Frank Bergman.

"Tristeza. O pessoal não dá jeito. Também, o povo não tem a consciência de colocar o lixo onde tem que colocar, e aí acontece isso", lamenta a dona de casa Ângela Cunha.

"Eu acho um descaso, e a própria população também não ajuda. Todo mundo coloca de tudo no arroio, tudo desemboca aqui, então não tem como ser uma coisa melhor. É bem triste, nossa cidade mereceria coisa melhor", completa o aposentado Márcio Pirillo.

 
 

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