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Solar Orbiter inicia missão para revelar segredos do Sol

Equipamento é preparado para aguentar temperatura de 600°C
10/02/2020 - 09h30min Corrigir

A missão Solar Orbiter foi lançada nesse domingo à noite com o objetivo de explorar os ventos solares, um fenômeno carregado de partículas potencialmente perigosas para as telecomunicações, e capturar imagens inéditas de nossa estrela. A sonda da Agência Espacial Europeia (ESA), em colaboração com a NASA, partiu de Cabo Canaveral às 23h03min locais (01h03min de segunda-feira no horário de Brasília). "Tudo está bem", declarou à AFP a diretora de operações científicas da sonda, Jane Lafort.

"Os painéis solares, necessários para carregar as baterias, foram instalados aproximadamente 75 minutos depois da decolagem. O satélite está começando a navegar", completou.

Depois de passar pelas órbitas de Vênus e Mercúrio, o satélite, cuja velocidade máxima será de 245 mil km/h, poderá se aproximar até 42 milhões de km do Sol, ou seja, menos de um terço da distância que o separa da Terra. Com essa trajetória, Solar Orbiter "terá a capacidade de olhar diretamente para o Sol", disse à AFP Matthieu Berthomier, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França.

"De cara, parece que estamos conectados com todo o sistema solar ", disse Daniel Muller, cientista do projeto na ESA, pouco depois do lançamento. "Estamos aqui na Terra lançando algo que se aproximará do Sol", completou. "Temos uma meta em comum: fazer boa ciência com esta missão. Acho que vamos conseguir", declarou Holly Gilbert, diretora da divisão de ciência heliofísica da NASA.

A sonda é protegida por uma blindagem térmica, pois as temperaturas a que será exposta atingirão 600°C. "Quando se aproxima tanto do Sol, não tem problemas de energia, mas há um problema de temperatura", disse Ian Walters, chefe do projeto da Airbus, que construiu o dispositivo.

Os novos dados completarão os compilados pela sonda Parker da NASA, lançada em 2018, que chegou ainda mais perto da superfície do astro (entre 7 e 8 milhões de km), mas sem a tecnologia de observação direta. Com seis instrumentos de tomografia, a sonda europeia revelará as imagens mais próximas do Sol já capturadas. Também mostrará pela primeira vez os polos de nossa estrela, dos quais apenas as regiões equatoriais são atualmente conhecidas.

Quatro outros instrumentos de medição "in situ" permitirão sondar o entorno do sol. O principal objetivo da missão é "compreender como o Sol cria e controla a heliosfera", a bolha magnética que circunda todo o sistema solar, resume Anne Pacros, gerente de missão e carga útil da ESA.

Meteorologia espacial

Essa bolha é impregnada de um fluxo ininterrupto de partículas chamado vento solar, que varia muito e misteriosamente. Às vezes, os ventos solares são perturbados por erupções que ejetam partículas carregadas que se propagam no espaço.

Essas tempestades, difíceis de prever, têm um impacto direto na Terra: quando atingem a magnetosfera, causam as belas e inofensivas auroras polares. Mas o impacto também pode ser mais perigoso. "Os ventos solares alteram nosso ambiente eletromagnético. É o que chamamos de meteorologia do espaço, que pode afetar nossas vidas diárias", diz Berthomier.

A maior tempestade solar conhecida é o "evento Carrington" de 1859: destruiu a rede de telégrafos nos Estados Unidos, causou choques elétricos a vários agentes, queimou papel nas estações e a aurora boreal ficou visível de latitudes sem precedentes, até América Central.

Em 1989, em Quebec, a modificação do campo magnético da Terra criou uma corrente elétrica em larga escala que, por efeito dominó, fez os circuitos elétricos pularem, causando um apagão gigantesco. As erupções podem ainda perturbar os radares no espaço aéreo, como em 2015 na Escandinávia, as radiofrequências e destruir satélites.

"Imagine que metade dos satélites em órbita foi destruído, seria uma catástrofe para a humanidade!", segundo Berthomier. Daí a crescente necessidade de uma previsão do tempo espacial.

Ao observar as regiões solares onde esses ventos nascem, a Solar Orbiter "permitirá desenvolver modelos para melhorar as previsões", confia Pacros. Sua viagem durará dois anos e sua missão científica, entre 5 e 9 anos. Mas César García, chefe do projeto na ESA, disse na sexta-feira que depois de dez anos - se tudo correr bem - a sonda ainda poderá ter combustível suficiente para continuar seu trabalho.

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