Justiça

Promotoria inclui mãe de autor confesso no rol de acusados por triplo homicídio em Porto Alegre

Promotor entende que a denunciada, ao carregar arma e ao não impedir que o filho atirasse, teve omissão relevante causal e concorreu para a prática do crime
14/02/2020 - 13h48min Corrigir

A mãe de Dionathá Bitencourt Vidaletti, autor confesso do triplo assassinato de uma família na zona Sul de Porto Alegre após uma discussão de trânsito, foi incluída pela Promotoria de Justiça com atuação junto à 1ª Vara do Júri da Capitali no rol de acusados pelo crime. Neuza Regina Bitencourt Vidaletti foi denunciada pela morte de Rafael Zanete Silva, Fabiana da Silveira Innocente Silva e Gabriel Innocente Silva. No aditamento à denúncia já em trâmite, a compreensão é de que ela cometeu três homicídios triplamente qualificados, além dos crimes de omissão relevante causal, porte ilegal de arma e disparos de arma de fogo.

Conforme os registros, o motivo do crime foi fútil, já que foi cometido a partir de um pequeno choque lateral dos veículos, o que poderia ter sido resolvido sem a necessidade de agressões. O aditamento é assinado pelo promotor de Justiça Eugênio Amorim.

O promotor entende que a denunciada concorreu para a prática do crime ao levar a arma de fogo ao momento da desavença, bem como ao atirar a esmo e ao não impedir que o seu filho pegasse a arma. Seguno texto, ainda houve perigo comum, já que os fatos se deram em local e horário de circulação de pessoas, próximo a estabelecimentos comerciais e a residências, o que poderia ter colocado em risco a vida de outros cidadãos.

A Promotoria também defende que o crime foi praticado mediante recurso que dificultou a defesa das vítimas, que foram surpreendidas pela utilização de arma de fogo durante uma desavença verbal. Isso lhes reduziu as possibilidades de reação ou fuga.

O crime

Em 26 de janeiro deste ano, por volta das 15h, na Estrada do Varejão, Bairro Lami, as vítimas transitavam de carro, dirigido por Rafael, quando ele perdeu o controle e colidiu com o automóvel de Neuza, que estava estacionado. Logo em seguida, ela e o filho, Dionathá, iniciaram uma perseguição ao veículo onde estavam as vítimas, até que pararam próximo ao número 3009.

Todos desceram dos carros e, depois de rápida divergência, Neuza interveio armada de uma pistola e atirou a esmo, o que fez com que a Fabiana pegasse o telefone e tentasse chamar a polícia. Foi nesse instante que Dionathá retornou com a mesma pistola, atingindo fatalmente as vítimas. A denúncia, assinada pela promotora de Justiça Lúcia Helena Callegari, foi apresentada, inicialmente, no último dia 30 e recebida pelo Judiciário no mesmo dia.

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