Esportes

Jovem de Campo Bom é a única representante do RS em mundial de atletismo de surdos na Polônia

Atleta é integrante da delegação brasileira na competição. Aline Bieger, de 26 anos, foi convidada para participar do mundial após receber mais de 40 medalhas, sendo 10 delas em 2019
20/02/2020 - 08h07min Corrigir

Um dos maiores sonhos de Aline Bieger, de 26 anos, está prestes a se tornar realidade. A atleta é uma das integrantes da Seleção Brasileira Feminina de Atletismo no Mundial de Atletismo de Surdos, que acontece no mês de julho na Polônia. A gaúcha, de Campo Bom, na Região Metropolitana de Porto Alegre, é a única representante do Rio Grande do Sul na competição.

Apaixonada por atletismo, Aline começou a competir aos 12 anos, mas desde o início precisou se adaptar. A jovem nasceu com uma deficiência auditiva no ouvido esquerdo, que comprometeu 100% da audição. Em 2018, ela descobriu uma condição nos genes que levou também a perda de 80% do ouvido direito. "É uma competição muito importante, pois, além de representar o Brasil, será incrível para a minha carreira. Com certeza, umas das coisas mais importantes é, também, mostrar a necessidade de apoio para o esporte de surdos", diz.

Aline vai participar pela primeira vez de uma competição destinada apenas ao público com deficiência auditiva, já que sempre competiu com atletas sem problemas de audição. Uma das dificuldades enfrentadas por ela, nesse tipo de prova, é escutar o tiro que sinaliza o início da corrida. "Peço para colocarem o megafone próximo, pois ajuda, e sinto um pouco a vibração, mas sempre acabo saindo atrasada."

Em eventos destinados apenas a surdos, são utilizados equipamentos e sistemas de luzes de LED para sinalizar o início da prova.

Ajuda para a viagem

A conquista de mais de 40 medalhas, sendo 10 delas só no ano passado, foi o passaporte para receber o convite para participar do mundial de atletismo. O reconhecimento partiu da Confederação Brasileira de Desportos de Surdos. Mas para garantir a viagem, a jovem precisa de ajuda.

“Como a Confederação de Surdos não tem verba o suficiente para bancar os atletas, só poderei ir se eu conseguir arcar com os custos. Por isso fiz uma vaquinha online”, conta.

Aline já arrecadou cerca de R$ 3 mil, mas a viagem só poderá ser realizada com pelo menos R$ 11 mil. O dinheiro serve para custear 10 dias de hospedagem e as passagens aéreas para a Polônia.

“Fui atrás de patrocínio também, mas é muito difícil. Algumas empresas me disseram que patrocinam times de futebol. Outras não me deram muita atenção”, conta.

O Mundial de Atletismo de Surdos acontece entre os dias 18 e 25 de julho na cidade de Radom, na Polônia.

Início no esporte

Nenhuma das dificuldades auditivas impediu Aline de praticar atletismo. O contato com o esporte começou cedo, já na 5ª série do ensino fundamental, quando ela participou de um teste de corrida na escola.

"Fui uma das mais rápidas. Depois me encaminharam para treinar em uma escola particular que tinha um projeto com a prefeitura da cidade. Lá, eu treinei e competi até concluir o fundamental", conta.

O interesse surgiu a partir da participação no projeto. "Gostava de ir nas competições, de fazer amizades. Desde que descobri o esporte, sempre gostei", diz. "É o que eu quero fazer para o resto da minha vida. Eu amo o atletismo".

Aline é graduada em licenciatura de Educação Física, e decidiu começar o bacharelado do curso em 2017. "É um esporte que eu amo, e foi por amar que me interessei pela educação física."

Dificuldades para competir

Depois de um início promissor, Aline começou a enfrentar um problema recorrente dos atletas que precisam trabalhar para pagar os estudos. "Não tinha mais tempo de treinar direito. Mesmo assim, competia quando dava e sempre ia bem", conta.

Em 2018, depois da perda auditiva, a jovem conta que ficou muito tempo sem poder praticar atividade física por causa dos danos colaterais da surdez. "Muitos zumbidos, tonturas. Eu tomava muito remédio e com isso fiquei mais fraca", diz. "O atletismo para mim é uma forma de superar todos os problemas que eu tive. Queria ter tido a oportunidade de nunca ter parado. Quando era mais nova, minhas marcas nos 100m eram muito fortes para a minha idade".

Aline compete atualmente nas provas de 100m, 200m e 400m. "Tenho mais jeito para as mais longas, então, futuramente vou competir só 200 e 400m, mas no mundial de surdos vou competir 100 e 200m", diz.

 

 
 

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