Saúde

Aumento das taxas de suicídio na região lança alerta: precisamos valorizar mais a vida

A psicóloga Maria Inês Corleta Evangelista salienta os principais cuidados que, principalmente, a família e amigos devem ter com as pessoas em diagnóstico de transtornos mentais para evitar que elas cheguem a este ato de extremo desespero
21/02/2020 - 15h00min Corrigir

Passados poucos dias após a virada do Janeiro Branco, o mês de conscientização da importância de se abordar temas envolvendo saúde mental e prevenção das doenças da mente (como a depressão, ansiedade e síndrome do pânico), a reportagem do portal de notícias Blog do Juares (BJ) conversou com a psicóloga Maria Inês Corleta Evangelista para o canal BlogTV a respeito do aumento dos casos de pessoas atentando contra a própria vida em nossa região.

De acordo com a profissional, que é especialista em Psicologia Clínica e Escolar, as taxas de suicídio no Rio Grande do Sul estão em níveis que merecem atenção redobrada. Conforme dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU), os indicadores do RS estão maiores do que os mundiais e é o mais alto entre os outros Estados do Sul do país, chegando aos 11,65%.

Os números foram apresentados pela Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) e fazem alusão aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) estipulados pela ONU. Esse estudo foi divulgado em julho de 2019, mostrando dados relativos à situação dos ODS no RS e no Brasil, e às ações estabelecidas pelo governo estadual até o fim de 2018, sendo o mais recente nessa área.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) apontou em um relatório publicado em 2017 que uma pessoa a cada quatro segundos tira a própria vida no Brasil. Isso significa cerca de 32 mortes por dia, sendo considerado um “sério problema de saúde pública global”, superando até mesmo os óbitos em decorrência do câncer e HIV, por exemplo.

Conforme a Revista Brasileira de Psiquiatria, o aumento deste tipo de morte foi de 24% nas cidades grandes e de 13% nos municípios do interior. Porém, segundo a OMS, 90% dos casos podem ser evitados. Nas palavras de Maria Inês, o suicídio também é uma forma de se comunicar com o mundo. “É o último estágio da dor e do sofrimento de uma pessoa que enfrenta algum transtorno mental. É quando ela não aguenta mais a vida que leva, quando esse sofrimento atinge um grau intenso e pede socorro pela última vez”, afirmou a psicóloga.

Maria Inês aponta a importância do ciclo social na vida de quem possui uma doença psicológica e está pensando em tirar a própria vida. “A família, os amigos, a escola, o meio social onde o indivíduo está inserido colaboram para a recuperação ou não dessa pessoa. Um meio ambiente cheio de violência, com abusos físicos, psicológicos, sexuais, alto consumo de drogas lícitas ou ilícitas podem levar a vários estágios de doenças mentais e até mesmo a esse suicídio”, disse. Assim como um ciclo de convivência sadio, onde haja diálogo e a pessoa enferma psicologicamente possa ser ouvida e respeitada, é favorável para que ela melhore sua saúde mental.

Segundo a psicóloga, mulheres apenas por conta do gênero e que ainda são vítimas de violência doméstica, crianças que sofrem ou sofreram abusos de todos os tipos, pessoas que pertencem às classes vulneráveis da sociedade (negros, indígenas, LGBTs), vítimas de abandono familiar são grupos que tendem a adquirir mais facilmente transtornos psicológicos que, se não tratados adequadamente por um profissional qualificado, podem evoluir para casos mais graves e até mesmo a um ato extremo, como a tentativa de liquidar com a própria vida.

Quanto ao sexo, a incidência maior de suicídio é entre os homens: quase o dobro em comparação com a das mulheres (13,7% para cada 100 mil homens e 7,5% para cada 100 mil mulheres). É a segunda maior causa de morte entre a faixa etária de 15 a 29 anos, conforme divulgado pelo Ministério da Saúde. Porém, o que chama mais atenção do órgão é o aumento desse tipo de óbito entre a população idosa de 70 anos ou mais. Foi registrada uma média de 8,9 mortes por 100 mil nos últimos seis anos. A média nacional é 5,5 por 100 mil.

A especialista destaca que é preciso ter uma atenção maior também com essa faixa etária. “Fica o questionamento de que tipo de saúde mental a sociedade está oferecendo para essa população, que está envelhecendo mais e, consequentemente, perdendo a credibilidade, a vivacidade e a valorização das suas vivências”, afirmou.

A fuga para o mundo virtual, principalmente entre os jovens com alguma patologia mental, é o que mais deve ser evitado pelo grupo de convivência da pessoa, disse Maria Inês. Segundo ela, no ciberespaço, existem sites que ensinam como o indivíduo pode cometer suicídio de forma mais rápida e eficaz ou jogos que incitam à violência.

Maria Inês salienta, também, o papel dos Centros de Atenção Psicossociais (CAPS) e os canais de comunicação, usados como forma de prevenção ao suicídio, como o Centro de Valorização à Vida (CVV). Através do número 188, com ligações gratuitas, a associação dá apoio emocional, oferecido por voluntários. Apesar de não ser exigida formação em Psicologia, eles recebem treinamento e todas as ligações são sigilosas.

Mas, primordialmente, a psicóloga indica que a pessoa diagnosticada com algum transtorno mental procure ter bons hábitos, ciclos sociais saudáveis e sempre que se sentir aflita, busque por ajuda profissional para ter um tratamento adequado. “Lembrando sempre que depressão, síndrome do pânico e outras doenças psicológicas não são frescura. A família tem sempre que estar atenta e dar todo o apoio necessário antes de julgar”, concluiu a profissional.

Psicóloga Maria Inês Corleta Evangelista

CRP 07/02255

Telefone: (51) 9 8447 2137

Especialista em Psicologia Clínica e Escolar

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