Saúde

Coronavírus: como transmito, o que sinto e como previno?

Médico pneumologista Marcelo Mallmann explica nesta segunda reportagem especial do BJ sobre o novo vírus
26/03/2020 - 19h30min Corrigir

O portal de notícias Blog do Juares (BJ) entrevistou o médico pneumologista camaquense Marcelo Mallmann a respeito da pandemia do novo coronavírus. Segundo o especialista, os principais sintomas da doença são: febre acima dos 37,5ºC, dificuldades para respirar e tosse, assim como uma gripe comum. “Só quem apresentar esses sintomas e tiver mais de 60 anos deve procurar a emergência neste momento. Sem exceção. Outros casos, procurem alguma tenda que vai ter especialistas ao ar livre pregando orientações”, salientou o pneumologista.

Leia também: Coronavírus: o que é, como e quando surgiu?

Dores no corpo, coriza, mudança na cor do catarro, fadiga, diarreia e infecção respiratória são outros sintomas que também podem se manifestar. Porém, há casos de covid-19 em que o paciente é assintomático e a doença não se manifesta. Estes, são extremamente perigosos, pois podem transmitir para outras pessoas e elas apresentarem sintomas graves, mesmo que no transmissor, o vírus tenha sido silencioso. O período de incubação do SARS-CoV-2 é de cinco a sete dias. Ou seja, se você entrar em contato com o vírus hoje, ele pode levar este período para se manifestar no organismo.

Transmissão:

Como principal forma de transmitir a doença, Mallmann aponta o contato próximo entre um indivíduo e o outro. “Ele (o vírus) transmite de forma interpessoal. Eu estou falando, eu estou tossindo, eu estou espirrando, eu estou liberando perdigotos com um número x de vírus. Pelo peso molecular dele, sabe-se que o coronavírus alcança cerca de 1 m de distância. Então, cogita-se que aquele jogo de uma das fases da UEFA, em Milão, entre a Talanta e Sevilla, no inverno europeu, com uma grande população confraternizando, não se sabe o histórico de saúde de todos que estavam lá, possa ter colaborado para a transmissão em massa do CoV-2”, afirmou Mallmann.

Mas o novo coronavírus também pode ser transmitido pelo contato com superfícies contaminadas. “No momento em que eu tossi ou minha mão entrou em contato com o vírus, eu toquei na maçaneta e depois coloco minha mão, principalmente, nos olhos, boca ou nariz, eu estou levando esse vírus para dentro”, completou. Por isso é recomendado que não colocarem a mão no rosto. “São com atitudes muito simples que vamos combater o vírus, mas atitudes simples que estão sendo difíceis para uma minoria, que não está deixando que a gente vença essa batalha”, falou o pneumologista.

Como prevenir:

Para prevenir o novo coronavírus, é necessário que se faça a higienização correta das mãos e desinfetar com álcool doméstico os objetos de uso corriqueiro, como maçaneta de portas, computadores, mesas, celulares e outros. “Gostaria que as pessoas abandonassem a ideia do álcool em gel. Quero que as pessoas continuem utilizando álcool em gel, mas temos que pensar que a maioria é carente financeiramente e não tem condições de comprar o básico para comer, que dirá álcool em gel, que é caro. Em Camaquã, infelizmente, é assim”, disse o médico.

Mallmann afirmou que uma pequena barra de sabão ou melhor, o próprio detergente líquido de lavar louças, água e 20 segundos de lavagem das mãos em cinco etapas já têm força para eliminar o vírus. “Lavar as mãos insistentemente, depois de tocar em qualquer objeto. Com sabão em barra, recomendo que cada um tenha o seu, pois o vírus pode resistir nesta superfície”, pontuou o especialista.

O álcool em gel serve como um complemento para a higienização das mãos ou substituto quando não se tem acesso imediato à água e sabão para poder lavá-las após contato com lugares que possam estar contaminados, como corrimões, barras do transporte público, etc. “O mais indicado é o álcool em gel 70º, mas na falta dele, como sabemos que está tendo uma grande procura, pode ser usado qualquer outro acima desse valor. Mas é claro que se deve ter todo o cuidado, pois podem causar queimaduras ou fissuras na pele”, indicou.

“Se pegarmos esse costume e, agora, o isolamento domiciliar, nessas próximas duas semanas, o pico da doença pode ser achatado em meados dos primeiros dias de abril, quando é previsto que ele esteja em alta no Brasil”, salientou o médico. “Quanto menos pessoas ficarem doentes, mais o hospital vai ter capacidade para tratar essas pessoas de maneira adequada. Do contrário, não teremos estruturas físicas para atender ninguém, independente do poder aquisitivo da pessoa e o nosso Sistema de Saúde vai entrar em colapso”, completou o pneumologista.

Outras dicas de prevenção:

  • Não tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas;
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes;
  • Ficar em casa quando estiver doente;
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel ou com o braço;
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência.

Quem tem mais chances de contrair:

O especialista apontou os idosos acima de 60 anos e os doentes crônicos como principais grupos de risco da covid-19, pois são quem já possuem um quadro de saúde mais debilitado. “Sabe-se que, principalmente, a população de mais de 70 anos é a que mais vai morrer. Abaixo dessa faixa etária, podem apresentar complicações os diabéticos, cardiopatas e pneumopatas, que são quem tem alguma doença no coração ou no pulmão, respectivamente”, pontuou Mallmann.

Dados:

Até às 15h46 desta quinta-feira (26), já são 2.617 pessoas que contraíram o novo coronavírus no Brasil, conforme boletim epidemiológico do Ministério da Saúde. A covid-19 está espalhada pelos 26 Estados, incluindo o Distrito Federal. As mortes já alcançaram a marca de 63, sendo 48 em São Paulo.

No mundo, o novo vírus foi registrado em 196 países e territórios dos cinco continentes, causando mais de 510 mil contaminações, 22.993 óbitos e 120.983 recuperações. O foco da pandemia ainda está concentrado na China, com 81.782 casos, e na Itália, com 80.539. Em terceiro lugar, vem os Estados Unidos, registrando 51.914 casos, segundo dados de hoje (26) da Organização Mundial de Saúde (OMS). Vale ressaltar que essa doença tem uma aceleração muito rápida e estes dados se atualizam a cada instante.

Já no Rio Grande do Sul, os casos contabilizados de covi-19 já são 160. A capital gaúcha, Porto Alegre, registrou a primeira morte pelo novo vírus ontem (25), de uma senhora de 91 anos. Em Camaquã, o prefeito Ivo de Lima Ferreira já descartou 14 dos 19 casos suspeitos que foram monitorados no município até a tarde desta quinta (26).

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