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Central Única das Favelas do RS inicia doações de 23 toneladas de alimentos e 15 mil produtos de higiene em Porto Alegre

Ação começou na quarta-feira em parceria com o Instituto Jama. Já foram ajudadas 400 famílias. Entregas de doações seguem nesta sexta
03/04/2020 - 10h11min Corrigir

A Central Única das Favelas do Rio Grande do Sul iniciou na quarta-feira (1°) a entrega de mil cestas básicas à comunidades de Porto Alegre. Ao todo, são 23 toneladas de alimentos e 15 mil produtos de higiene doados pelo Instituto Jama, que é parceiro da Cufa.

O objetivo é auxiliar famílias carentes, em sua maioria autônomas, que, devido à pandemia de coronavírus e à crise financeira, estão passando por dificuldades.

De acordo com o coordenador da Central no estado, Paulo Daniel Santos, vários pontos carentes da Capital estão sendo auxiliados, como a Vila Cruzeiro, bairro Cristal, Morro Santa Tereza, bairro Restinga e o Morro da Cruz. As doações foram divididas em três remessas e continuam sendo feitas nesta sexta-feira (3) e durante o resto da próxima semana.

A logística da ação é composta por uma rede de líderes comunitários que não necessariamente são cadastrados na Cufa. De acordo com Paulo, são quase 60 voluntários envolvidos na ação. Eles são orientados sobre as normas de higiene para evitar a propagação do vírus.

“Como está todo mundo nessa rede de doação, a gente deu um treinamento rápido para as pessoas, que consiste em aprender a se proteger do vírus. A forma certa em levar dos produtos pra casa das pessoas", afirma.

Conforme o coordenador, a escolha das famílias vem dos voluntários e líderes comunitários devido ao conhecimento que eles têm sobre as carências específicas de cada grupo. A ideia é que as próximas doações aconteçam em rodízio de comunidade e famílias para que haja um maior alcance de pessoas beneficiadas.

Cerca de 400 famílias porto-alegrenses já foram ajudadas pelas doações. O kit que elas recebem é composto por uma cesta básica completa e produtos de higiene pessoal e de limpeza.

“É muito importante enfatizar a questão da higiene. As pessoas, que são moradoras de periferia, acham que por não poderem comprar o álcool em gel elas estão desprotegidas, mas o sabão é tão eficiente quanto. Higienizar a casa com água sanitária, lavar as mãos, são maneiras de ficar protegido.”

Segundo o coordenador, também é necessário estabelecer para a população que todos são vulneráveis à doença.

“A gente precisa chegar com muita humildade também porque a doação não pode ser indicativo de que a pessoa necessitada é inferior. É uma situação extraordinária, todo mundo está vulnerável", afirma.

"Quando a gente está falando das famílias que estão na periferia não é sobre ‘ah, estou entediado e terminei de maratonar minha série’. São pessoas que se não saem para rua para trabalhar, elas passam fome. É uma cascata. Várias pessoas que estão no grupo de risco são o centro da família, são as que sustentam a casa."

Doações

O coordenador afirma que qualquer quantia e doação é bem-vinda para a Cufa auxiliar as famílias.

“Importante as pessoas entenderem que independente da quantidade, isso faz diferença para vida das pessoas. Às vezes, a pessoa pensa que tem muito pouco pra doar, mas isso faz diferença. Tem gente que não tem como doar dinheiro, mas disponibilizam seu carro. O que as pessoas acham que é simples também ajuda muito. Como o post solidário, [em que as pessoas] compartilham e levam para outras pessoas na internet. Toda essa movimentação é válida.”

Outra iniciativa é priorizar compras feitas em comércios locais. Quando recebem quantias de doação em dinheiro, a Cufa adquire as cestas básicas e produtos de higiene na comunidade, como uma forma de combater a crise.

“A gente recebe essa doação que é de um grande porte. Se a gente comprar de uma grande rede, a gente não vai estar ajudando a comunidade. O mercadinho de bairro se deixar de vender, vai deixar de existir", relata Paulo.

Interessados em ajudar com doações podem entrar em contato com a Cufa-RS.

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