Polícia

Mais de 450 toneladas de sementes piratas de soja são apreendidas no RS

Operação foi realizada pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural e Polícia Civil
07/08/2020 - 16h24min Ascom Seapdr e Ascom Polícia Civil Corrigir

A Operação Bijuteria, deflagrada nesta quinta-feira (6) pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e pela Polícia Civil, cumpriu 14 mandados de busca e apreensão, encontrando mais de 450 toneladas de sementes de soja com suspeita de pirataria. A ação, realizada nos municípios de Santa Bárbara do Sul, Carazinho e Almirante Tamandaré do Sul, é a maior já executada no Rio Grande Sul relacionada ao comércio de sementes piratas de soja.

“Considerando o preço base, as sementes apreendidas representam mais de R$ 1,5 milhão. Algumas estavam ofertadas como sementes originais, de custo ainda maior”, explica a chefe adjunta da Divisão de Insumos e Serviços Agropecuários da Seapdr, Rita Antochevis.

Durante a operação, fiscais da secretaria constataram outras irregularidades no uso e armazenamento de agrotóxicos em propriedades rurais, além de crimes ambientais de queima e outras destinações incorretas de embalagens vazias dos produtos. As equipes ainda identificaram que algumas das propriedades investigadas utilizavam agrotóxicos proibidos no Brasil.

Amostras das sementes apreendidas foram encaminhadas para análise, e os investigados, autuados pela secretaria. No âmbito criminal, os suspeitos são investigados por organização criminosa e estelionato. Os indícios de contrabando identificados serão encaminhados à Polícia Federal.

“Destaco o empenho dos fiscais agropecuários da secretaria, que estiveram reunidos desde as 7h com as equipes do ministério e da Polícia Civil, sendo que alguns colegas tiveram que se deslocar 250 quilômetros para participar da operação. Conseguimos contar com nove fiscais na ponta”, ressalta Rita.

Perigos da semente pirata

As investigações começaram em junho, após policiais da Delegacia Especializada na Repressão aos Crimes Rurais e Abigeato (Decrab) de Bagé e fiscais federais e estaduais agropecuários receberem denúncia de que indivíduos dos municípios de Santa Bárbara do Sul e Almirante Tamandaré do Sul estariam vendendo, em larga escala, sementes piratas de soja (produtos de baixa qualidade e custo menor) como se fossem certificadas.

As sementes de soja certificadas apresentam, em razão de sua qualidade, valor de mercado mais elevado e têm nomes (variedades) reconhecidos, tanto pelos órgãos de fiscalização como pelos produtores de soja.

A investigação aponta que os suspeitos burlavam o caminho legal para a produção e venda de sementes certificadas, entregando aos agricultores produtos de baixa qualidade e que, consequentemente, representam elevados prejuízos para as vítimas.

Os perigos da utilização de sementes piratas para o agronegócio gaúcho já foi tema de reportagem da Seapdr: Uso de sementes piratas abre porteira para novas ameaças às lavouras gaúchas

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