Política

“Sem o impeachment, nós vamos ter mais um ano e meio desse desastre”, fala professor Edson sobre governo Bolsonaro na BJ Rádio Web

Edson Oliveira é professor no IFSul Camaquã e atual vice-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) no município
10/09/2021 - 18h00min Corrigir

O programa Encontro 9.9, da BJ Rádio Web, recebeu nesta sexta-feira (10) Edson Oliveira, professor do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) - Campus Camaquã e vice-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) no município. Entre as pautas da entrevista estavam a atual situação política do país e os atos promovidos no Sete de Setembro.

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Oliveira criticou as manifestações organizadas pelos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, apontadas por ele como ‘antidemocráticas’. “A gente não faz esses atos sem financiamento, sem dinheiro. Porque ninguém vai lotar, fretar ônibus, caravanas, produzir adesivos, bandeiras, bonés, cartazes contra... Porque a gente diz atos antidemocráticos porque nos cartazes... [...] Tinham vários cartazes pelo fim, pelo fechamento do STF, pela destituição dos 11 ministros do STF. Uma outra pauta que veio à tona agora pelos grupos bolsonaristas é o voto auditável. O conflito que eles têm agora com o sistema eleitoral, que vale lembrar que o atual presidente da República, ele foi eleito oito vezes pelo atual sistema de urna eletrônica e agora eles miram essa artilharia de ataque para essas instituições da República”, destacou.

“Não tava na pauta do presidente da República falar no 7 de setembro sobre a Independência da nação, porque geralmente os presidentes da República fazem essas manifestações. Lembrando que agora a gente vai ter o bicentenário no ano que vem (Independência), podia ter falado na época pra apaziguar a situação. Falar sobre o Brasil real, né? Sobre a situação do desemprego. São 15 milhões de desempregados nesse país. A gente tem uma alta gigante no custo de vida. A gasolina já batendo 7 reais. [...] O preço do gás de cozinha tá mais de 100 reais. Dezenove milhões de brasileiros vivendo em situação de miséria e de fome. Vinte e cinco milhões de brasileiros com subemprego, trabalha assim, como eu digo: ‘trabalha de dia pra comer de noite’. Porque essa situação tá realmente muito difícil”, argumentou ainda.

Edson seguiu falando que a adesão às manifestações pró-Bolsonaro foi abaixo do esperado, levando em conta o tamanho da divulgação que estava sendo feita pelos organizadores. “A gente viu que flopou. Não foi tudo aquilo que eles esperavam e aí o presidente começa a recuar”, opinou.

O professor aproveitou o gancho e passou a comentar sobre a nota publicada nessa quinta-feira (9) em que Bolsonaro afirma que não teve a intenção de agredir quaisquer dos poderes e que as divergências são promovidas a partir das decisões adotadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes com relação ao inquérito das fake news. O texto foi articulado pelo ex-presidente Michel Temer, depois de ser procurado por Bolsonaro para se aconselhar. “Eu só imagino como está hoje essa base bolsonarista depois do que aconteceu no dia de ontem. Porque tu imagina: na frente das câmeras o presidente da República é um leão, vai lá e agride e tal. Aí na hora de arregar, ele pede pro Temer escrever uma nota e divulgar. Por que ele não foi para a câmera?”, apontou.

No que diz respeito aos bloqueios de caminhoneiros nas rodovias gaúchas, Oliveira disse não ter visualizado legitimidade nos atos uma vez que as pautas defendidas pela classe durante os movimentos estavam ligadas somente à ideologia favorável ao atual governo. “Eu vi placas nessas manifestações nas estradas pedindo voto auditável, pedindo fechamento do STF. [...] Então, tu vê que são movimentos articulados pela base bolsonarista. [...] Procurem na internet ‘Associação Nacional dos Caminhoneiros’, que divulgou uma nota dizendo que não tem nada a ver com esses atos”.

Edson criticou o plano de governo de Bolsonaro na eleição de 2018, no qual apontou a falta de um projeto econômico para diminuir a desigualdade social no país. “Tu vê alguma fala dos altos escalões da República do governo federal preocupados com essa situação do desemprego, da escalada de preços? O custo de vida fica cada vez mais alto e não existe um projeto econômico pra isso. [...] No dia posterior à fala do presidente Bolsonaro, a Bolsa de Valores, a Ibovespa de São Paulo, teve uma queda recorde e isso foi divulgado. O dólar subiu. Porque o mercado financeiro tá apavorado. [...] Qual é o empresário que vai vir pro Brasil numa situação dessas?”.

Avaliando a gestão de saúde do governo Bolsonaro durante a pandemia, o professor enalteceu o Sistema Único de Saúde (SUS), mas teceu críticas ao presidente pelas falas diminuindo a gravidade da doença e também as atitudes resistentes quanto aos protocolos sanitários. Além disso, comentou sobre as sucessivas trocas de ministro na pasta, demora para aquisição das vacinas e tratamento precoce. “O presidente constantemente leva as pessoas a se contaminarem, a não se cuidar [sic]. Então, a gestão da saúde no tocante à pandemia foi um desastre”.

Falando sobre educação, Edson apontou que o país está sofrendo um desmonte nas universidades e institutos federais com os cortes de verbas que acontecem desde o início do governo Bolsonaro. “Não se fala muito em educação hoje porque o Bolsonaro tenta tirar o foco pra não deixar, pra que a gente esqueça de algumas coisas. Enquanto isso, a boiada tá passando, né?", disse. O professor completou sua fala afirmando: “A gente tem uma situação muito delicada em relação à educação. Eu, como professor, vejo que gradualmente os recursos não estão chegando e aí tu não tem como melhorar infraestrutura, tu não tem como contratar novos professores e isso é importante”.

Oliveira defendeu a retirada de Bolsonaro do poder para dar início à recuperação do país em todos os setores. “A questão do impeachment tem que ser defendida por todos, porque não tem condições nenhuma esse presidente metido em maracutaia. [...] Tem uma série de questões que tão começando a chegar. É a CPI da pandemia que veio para elucidar isso. Se não fosse essa pandemia, essa CPI na pandemia, a gente não saberia dessa maracutaia, por exemplo”.

O professor apontou que a tendência das eleições presidenciais de 2022 é Lula liderando as pesquisas e vencendo o pleito contra Bolsonaro, uma vez que a rejeição do atual chefe do governo federal vem aumentando constantemente. “O que tá mostrando as pesquisas é o presidente Lula liderando com ampla margem de vantagem com relação ao atual presidente da República. E é por isso que ele (Bolsonaro) gera esse caos, gera constante conflito. E basta lembrar que todas as acusações contra o presidente Lula foram arquivadas”, afirmou.

Edson assumiu a vice-presidência municipal do PT após a reestruturação que a comissão executiva do partido teve no início deste ano. Segundo ele, os principais pontos defendidos pelos filiados são o debate público aberto e franco com fatos sendo mostrados e a defesa dos interesses da comunidade. “É no município que nós vivemos. Aqui estão os problemas reais. [...] As questões que são importantes procurem reivindicações, procurem se informar sobre a realidade, sobre a situação em que nós vivemos, que ela não está fácil pra ninguém".

“A gente precisa sempre defender a democracia. O campo progressista, o campo democrático, o campo popular do qual eu faço parte defende a democracia, defende a harmonia entre os poderes. Então, a gente chega num momento em que tem que pensar em um projeto de nação. Tem que parar um pouco com essa parafernália de discurso de ódio, de agressividade. [...] Puxa, isso não leva a nada! A gente precisa ter um projeto de nação, um projeto que gere renda, que gere estabilidade política e democrática no país, que atraia investidores. [...] A gente precisa continuar pautando o impeachment do presidente da República, porque ele não tem condições nenhuma de se manter no cargo que ele ocupa. A gente já vê que não tem decoro nenhum com o cargo. O Brasil virou um pária no cenário internacional. Um país que foi respeitado no mundo, hoje é motivo de chacota no mundo inteiro pela situação caótica que nós vivemos aqui”, finalizou.

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