Política

“É ridículo um estudo sem nenhum político do município saber", diz vereador de Dom Feliciano sobre barragem do arroio Sutil

Cristiano Studzinski (PT) publicou um vídeo nas redes sociais alegando falta de representação política local na aprovação feita pelo governo federal do estudo de viabilidade da represa
11/01/2022 - 15h05min Corrigir

Um assunto que está causando bastante polêmica entre o Poder Público de Dom Feliciano é a liberação por parte do governo federal para estudos de viabilidade da barragem no arroio Sutil. O documento foi assinado no dia 31 de dezembro pelo Ministério do Desenvolvimento Regional, juntamente com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), responsável pela análise.

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Na manhã desta terça-feira (11), o vereador Cristiano Studzinski (PT) postou um vídeo na rede social no qual se manifesta contrário ao estudo. O pronunciamento foi realizado no plenário da Câmara, durante sessão ordinária ocorrida nessa segunda (10). A preocupação de Studzinski é com a comunidade que mora na região e se sustenta da agricultura familiar. Cerca de 400 famílias entre Dom Feliciano e Chuvisca serão afetadas com a construção da represa. No local, considerado uma das terras mais férteis da região, agricultores sobrevivem do plantio de tabaco, uva e criação de gado, entre outros cultivos.

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“Até hoje eu não vi nenhum agricultor do nosso município comemorando estudo de viabilidade de construção de barragem”, defendeu.

O parlamentar propõe durante a fala que haja uma mobilização política do município para impedir que a análise continue. “O país em crise, a economia caindo e vem gente me falar que vão fazer estudo só de barragem. Se vão fazer estudo é porque vão fazer barragem, sim!”.

Studzinski afirma que nenhum representante dos poderes Executivo e Legislativo de Dom Feliciano foi notificado sobre a assinatura do termo para início do estudo, sendo que cerca de 90% das terras do arroio Sutil estão localizadas em áreas do município. “Ninguém tá aqui defendendo um lado ou outro e ninguém também tá aqui sendo contra. Agora, sou totalmente contra a assinatura sem nenhum político de Dom Feliciano”, comentou. “É ridículo um estudo sem nenhum político do município saber. [...] São mais de 200 famílias desse lado. O que serão feitas dessas famílias?”, questiona.

“Em momento nenhum cita Dom Feliciano. Tomara que eu esteja falando uma besteira aqui e que essa barragem não é em Dom Feliciano, porque não parece que é. Ou Dom Feliciano não tem autoridade, não tem prefeito, não tem vice, não tem vereador. Só tem o pessoal de Camaquã, os arrozeiros de Camaquã, os fazendeiros do Partido Progressistas... E não tem mais político aqui na cidade pra ser notificado, pra ser informado ou pra ser perguntado qual é a sua posição sobre a barragem. Eu tenho a minha posição: eu sou totalmente contra estudo ou qualquer balela de barragem aqui no arroio Sutil”, finalizou.

Assista ao pronunciamento

Na semana passada, o prefeito de Dom Feliciano, Clenio Boeira (PTB), utilizou as redes sociais para afirmar que é contrário à construção da barragem.

"Surge mais uma vez a história da Barragem no Arroio Sutil. Fui contra, sou contra e serei sempre contra inundarem nossas terras mais férteis para levar água para arrozeiros, deixando cerca de 300 famílias sem terra para produzir seu sustento. O triste é que tem lideranças de Dom Feliciano a favor", escreveu o gestor.

Entenda o caso

A pauta sobre o aproveitamento dos recursos hídricos da bacia do arroio Sutil vem sendo discutida por políticos da região desde 2005. O principal objetivo do projeto é encontrar novos meios para ampliar a irrigação e a produção agrícola regional. Várias reuniões foram articuladas com lideranças políticas de Camaquã e representantes da Associação dos Usuários do Perímetro de Irrigação do Arroio Duro (AUD) ao longo deste período.

A proposta foi defendida, atualmente, em Brasília, junto ao Ministério do Desenvolvimento Regional, pelo deputado federal Jerônimo Goergen, pelo senador Luís Carlos Heinze e pelo deputado estadual Marcus Vinícius de Almeida, que preside a Frente Parlamentar em Defesa da Metade Sul. Os parlamentares são coligados ao Partido do Progressistas (PP) e apontam que a conquista vai potencializar o desenvolvimento e movimentar a economia regional.

Para a realização da obra, bastava a retomada do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA). O valor total do contrato assinado na última semana supera R$ 2 milhões, sendo que, somente na fase inicial, serão garantidos R$ 712 mil. 

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