Rural

Agronegócio pressiona para manter Brasil fora de conflito Irã x EUA

Representantes do setor pregam maior cautela no campo diplomático para não atrapalhar os negócios entre o País e parceiros comerciais
08/01/2020 - 16h22min Corrigir

O apoio do Brasil ao ataque americano que matou na semana passada no Iraque o general Qasim Suleimani, principal militar iraniano, preocupa líderes setor agropecuário brasileiro, destaca o jornal O Estado de S. Paulo. Eles pregam uma maior cautela no campo diplomático para não atrapalhar os negócios entre o País e seus parceiros comerciais.

Hoje, o Brasil é o maior exportador de produtos agropecuários para o Oriente Médio, gerando uma receita de cerca de US$ 9 bilhões por ano. "O Oriente Médio é um grande parceiro do Brasil em termos de alimentação. Temos muitos interesses lá", alertou o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Alysson Paolinelli. Ele disse que o embargo dos EUA ao Irã que já existe prejudica os negócios, mas uma radicalização do conflito vai piorar ainda mais o cenário.

"Devemos ter cautela, não temos de chamar essa briga para nós, não precisamos nos envolver. O que queremos com isso?", questionou o deputado federal Neri Geller (PP-MT), ex-ministro da Agricultura. Para ele, o Brasil deve trabalhar pela pacificação e pela construção de mais relações comerciais no exterior lembrando que o Irã é um comprador importante de produtos como milho, soja e carne bovina do Brasil.
Exportações

De acordo com dados do Insper Agro Global, o Brasil é o maior fornecedor de alimentos para o Oriente Médio, seguido por Índia e Estados Unidos. O setor de agronegócio representa 97% das exportações brasileiras ao Irã.

Em 2018, o Irã foi o quinto maior destino das exportações brasileiras do setor agrícola, após China, União Europeia, EUA e Hong Kong. O Brasil exportou US$ 2,258 bilhões em produtos agrícolas ao Irã e importou US$ 39,92 milhões. Isso gerou um superávit de US$ 2,218 bilhões no ano. Ainda em 2018, o Brasil exportou US$ 550 milhões em produtos agrícolas para o Iraque.

"O Irã comprou, no ano passado, US$ 2,258 bilhões do Brasil. Basicamente, milho, soja e carne bovina", afirmou Marcos Jank, professor de agronegócio global do Insper e conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri). O dado coloca o país como o principal destino dos produtos brasileiros na região.

"Não deveríamos tomar partido neste momento de radicalização e conflitos. Temos de preservar nossos grandes interesses no Oriente Médio, que compra quase duas vezes mais produtos agropecuários do Brasil do que os Estados Unidos", disse o professor do Insper.

O Irã também é o maior mercado para o milho brasileiro e o quinto maior destino da carne bovina e da soja exportadas pelo Brasil, segundo dados do Ministério de Relações Exteriores.

Governo

Na sexta-feira, um dia depois da morte de Soleimani, o Itamaraty divulgou uma nota em que apoiava a "luta contra o flagelo do terrorismo", condenando o ataque à Embaixada dos EUA no Iraque, que havia ocorrido dias antes e acabou por desencadear a ação que matou o general iraniano. O texto, porém, evitou criticar o ataque que matou Soleimani.

Em reação, a chancelaria do Irã convocou a encarregada de negócios do Brasil, Maria Cristina Lopes, para uma consulta, um sinal diplomático de reprovação ao texto do Itamaraty. O conteúdo da conversa desta terça-feira, não foi divulgado, mas o órgão diplomático brasileiro descreveu o encontro como "cordial".

A reação inicial do presidente Jair Bolsonaro também foi de apoio aos EUA. Na segunda-feira, ele disse que Suleimani "não era general". Segundo uma fonte da ala militar do governo, após a declaração, o presidente foi orientado por auxiliares a agir com cautela em razão da sensibilidade do tema e das implicações comerciais. E parece ter entendido a mensagem. Nessa terça, após uma reunião com militares no Ministério da Defesa, o presidente disse que não responderia a perguntas.

Para Bartolomeu Braz, presidente da Aprosoja Brasil, a principal preocupação com a tensão entre EUA e Irã é o aumento dos custos de produção com a alta do petróleo - e não a exportação de alimentos. Braz disse não temer retaliações e afirmou que o País acerta em condenar o terrorismo.

"O Brasil exporta alimentos para mais de 200 países, pela qualidade e pela competitividade. Então, esses fatores vão sobressair a uma palavra dita ou não. Acho que isso tende a esfriar", minimizou.

A tensão entre EUA e Irã aumentou desde a morte de Soleimani, que foi enterrado nesta terça como herói nacional. O general era uma das principais referências militares e políticas do Irã e comandante da Força Quds, um grupo de elite dentro da Guarda Revolucionária iraniana.

Navios barrados

Os cargueiros iranianos Bavand e Termeh, que trouxeram ureia ao Brasil, ficaram quase 50 dias parados no Porto de Paranaguá, no Paraná, em meados do ano passado, pois a Petrobras havia se negado a vender combustível para os navios, afirmando que a proprietária deles constava na lista de empresas sob sanções dos EUA.

Eles só conseguiram zarpar depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) ordenou que a Petrobras fornecesse combustível às embarcações. O Irã havia ameaçado cortar as importações do Brasil se os navios não fossem abastecidos e liberados. Dias depois, outros dois cargueiros iranianos, o Delruba e o Ganj, descarregaram ureia no Porto de Imbituba, em Santa Catarina, e partiram em seguida.

MAIS NOTÍCIAS

FUNERÁRIA BOM PASTOR
SUPER SÃO JOSÉ
ROGÉRIO CALÇADOS
ART MÓVEIS
RESTAURANTE COME COME
ELETRO CLIC
OLIDATA
ADRIANO CONRADO
PADARIA ESTRELA
FUNERÁRIA CAMAQUENSE
RÁDIO SÃO JOSÉ
Tocando agora: Relembre bons momentos
Diminuir/Aumentar Fonte: Fonte: A - A +